Programa de aceleración de la
Plataforma Parceiros pela Amazônia

Investimentos inovadores em negócios sustentáveis na região

Programa de Aceleración de la
Plataforma Parceiros pela Amazônia

Investimentos inovadores em negócios sustentáveis na região

Brasil / Consultoria

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O Programa de Aceleração da Plataforma Parceiros Pela Amazônia busca solucionar os principais desafios socioambientais da região fornecendo uma combinação inovadora de investimentos híbridos com recursos filantrópicos e capital privado (blended finance). Este caso foi sistematizado por meio de entrevistas com a equipe do Idesam no primeiro semestre de 2020, quando eram responsáveis pelo programa de aceleração da PPA. Em 2021, houveram mudanças na gestão do programa e outra organização foi criada com o objetivo de seguir com o programa de aceleração de negócios, a Amaz. Sendo assim, as informações detalhadas neste caso não correspondem à atuação atual da PPA. Para mais informações consulte Amaz e Plataforma Parceiros pela Amazônia

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Antecedentes e contexto

Desde 2004 o Idesam atua na promoção do desenvolvimento sustentável na Amazônia. A experiênciaregional revelou a enorme necessidade de complementar o relevante trabalho das ONGs com soluções e investimentos que estimulem o ambiente de negócios da região, como forma de combater o desmatamento na Amazônia.

A Amazônia Legal possui a maior área de floresta tropical do planeta, corresponde a 59% do território nacional brasileiro, tem mais de 20 milhões de habitantes e gera 8% do PIB nacional, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) aponta que, somente em 2019, 10 mil quilômetros quadrados de floresta foram desmatados, o maior número desde 2008.

"A base da economia regional reside em atividades agropecuárias, mineração e no pólo industrial da Zona Franca de Manaus. O nosso maior objetivo é criar uma nova economia a partir de negócios de impacto inovadores que promovam o uso sustentável da floresta amazônica".


Mariano Cenamo

Diretor do Idesam 

Nesse contexto foi criada em 2017 a Plataforma Parceiros Pela Amazônia (PPA). Sob a coordenação do Idesam, a plataforma reuniu diversos atores regionais e internacionais que acreditam no protagonismo do setor privado para soluções para a Amazônia. A principal diferença em relação a outras organizações locais passava pelo objetivo de se buscar oportunidades de investimento em negócios com fins lucrativos, não o financiamento de ONGs ou projetos de advocacy.

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Descrição

 

O Programa de Aceleração de Negócios e Investimentos de Impacto da PPA é coordenado pelo Idesam, com apoio estratégico e financeiro do USAID, Fundo Vale e Instituto Humanize. Conta também com apoios não-financeiros e serviços de diversas organizações.

O Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia) é uma ONG que atua na região amazônica junto a produtores rurais, comunidades tradicionais, ribeirinhas e indígenas. Com foco em valorização e uso sustentável dos recursos naturais do bioma, alcançou mais de 3400 famílias desde a sua fundação em 2004. A instituição atua em cinco linhas temáticas: Mudanças climáticas & REDD+¹; Produção rural sustentável; Manejo e tecnologias florestais; Políticas públicos & advocacy; e, Áreas Protegidas.

O USAID (United States Agency for International Development) é uma agência internacional ligada ao governo dos Estados Unidos da América com foco no desenvolvimento internacional e assistência contra catástrofes. Criado em 1961, atua para salvar vidas, reduzir a pobreza, fortalecer a governança democrática e ajudar pessoas a progredir para além de assistências imediatas.

O Fundo Vale é uma associação sem fins lucrativos que busca conectar instituições e iniciativas em prol do desenvolvimento sustentável. Fundada em 2009 pela Vale, tem atuação prioritária na Amazônia, com foco em temas como fortalecimento da sociedade civil, mecanismos de governança, nova economia, ordenamento territorial, políticas públicas, geração e disseminação de conhecimento, além de finanças socioambientais e negócios de impacto.

O Instituto Humanize foi fundado em 2017, à partir uma carteira de investimento social privado. Sua atuação passa por 4 linhas programáticas: conservação e uso sustentável; cidades e territórios; governança e política pública; empreendedorismo e negócios de impacto social.

¹ REDD+: Redução de emissões derivadas do desmatamento e degradação de florestas. O objetivo do REDD+ é estimular os países em desenvolviemento para contribuir com os esforços de mitigação das mudanças climáticas. Mais info

A principal diferença em relação a outras organizações locais passava pelo objetivo de se buscar oportunidades de investimento em negócios com fins lucrativos, não o financiamento de ONGs ou projetos de advocacy.

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Implementação

A intenção inicial era criar um programa de investimentos, contando com um pool de recursos que juntasse governos (USAID), fundações (Humanize e Fundo Vale) e investidores privados. No entanto, as primeiras experiências demonstraram a necessidade de uma atuação mais robusta, que apoiasse os negócios em seus principais desafios. Com isso, foi desenvolvido também o programa de aceleração.

O formato de busca e seleção dos negócios de impacto se dá dentro do seguinte processo:

  1. Chamada de negócios em parceria com a Pipe.Social, com seleção e entrevistas.

  2. Os finalistas são apresentados para investidores privados, que apontam os negócios em que têm interesse. Essa apresentação ocorre em eventos no estilo shark tank, com os negócios tendo condições iguais de apresentação de seus pitches.

  3. Uma vez determinados os negócios de interesse dos investidores, o Idesam e parceiros fazem o due dilligence financeiro e de impacto e avaliam se há condições para o investimento.

Dentre os critérios avaliados, se destacam potencial de retorno, capacidade da equipe, alinhamento ético, capacidade de pagamento e uma avaliação dos impactos positivos e negativos do negócio. A SITAWI Finanças do Bem apoia o Idesam nesse processo de avaliação.

As taxas são abaixo das de mercado, sendo o principal corrigido somente pela inflação na maior parte dos casos.

Investimento personalizado

Os investimentos são sempre realizados em parceria com um investidor privado (não filantrópico ou governamental). A cada um real investido por um privado, 1 real é investido pelo PPA, à partir de doações dos investidores filantrópicos.

"Essa questão é fundamental para atrair capital privado. Acredito que não conseguiríamos ter alavancado todos os investimento privados se não houvesse o matching, inclusive considerando os investidores de impacto".


Mariano Cenamo

Diretor do Idesam

Os investidores privados investem através de uma variedade de mecanismos, dependendo das suas preferências.

O Idesam é financiado com capital filantrópico. USAID, Instituto Humanize, Fundo Vale, FIIMP (ver o caso FIIMP neste estudo) e outras instituições fazem doações que são investidas nos negócios como um empréstimo. As taxas são inferiores às taxas de mercado e apenas é feito um ajustamento da inflação ao capital inicial.

O capital filantrópico, dentro deste mecanismo de financiamento híbrido, reduz o custo de capital para o empresário e aumenta a segurança para o investidor. A redução do custo de capital ocorre porque a parte emprestada pelo próprio PPA é remunerada a taxas baixas, compensando eventuais taxas mais elevadas do investidor privado. A segurança é aumentada ao ter no PPA um grupo de investidores que fornecem capital juntamente com aliados que conhecem a região e podem acompanhar de perto o negócio.

Apoio não financeiro


O apoio não financeiro, desde o processo de selecção, passando pela aceleração e monitorização da Idesam, procura reduzir o risco de investimento privado e apoiar o desenvolvimento de empresas, muitas das quais não estão inicialmente preparadas para receber investimento.

Os investidores filantrópicos são os que sustentam o programa em si, sem custos para os investidores privados.

Traduzido com a versão gratuita do tradutor - www.DeepL.com/Translator

"Somos um investimento 100% híbrido para reduzir o custo do capital para os empresários e reduzir o risco e o custo operacional para os investidores. O programa do acelerador só se torna livre de acções porque é financiado com capital filantrópico. Todo o processo de pesquisa, rastreio, due diligence, etc., tem um custo zero para o investidor privado. Na prática, o investimento não financeiro financiado por capital filantrópico é ainda maior do que o investimento financeiro total".


Mariano Cenamo

Diretor do Idesam 

O programa foi estruturado de forma a atender os dois perfis diferentes de negócios que são escolhidos pela PPA: negócios de impacto com desafios tradicionais e negócios tradicionais com desafios de provar seu impacto. O apoio não financeiro varia de acordo com o perfil e pode incluir temas como impacto, financeiro (captação de recursos) e estratégico (comercial e operações).

Para os negócios que recebem investimentos, há a definição de planos de trabalho e contratação para o crescimento dos negócios. São oferecidos também mentorias e assessorias ad hoc (jurídica, contábil, acadêmica etc).

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Resultados

O programa está em sua segunda edição, com 15 negócios acelerados em cada uma. Considerando os resultados apurados até aqui, estima-se que foi possível impactar uma área total de 873 mil hectares de floresta Amazônica preservada, restaurada ou sob manejo sustentável.

"O sentimento que eu tenho é que estamos construindo aos poucos o ecossistema de negócios de impacto na Amazônia. (...) Estamos adaptando serviços, inteligência e ferramentas para a nossa realidade, o que tem dado gerado bastante trabalho e aprendizados".


Ana Carolina Bastida

Coordenadora do Idesam 

Em relação à evolução específica dos negócios, 88 novos contratos com fornecedores foram celebrados, 28 novas parcerias, 14 novos mercados, 11 novos canais de venda e 8 novas fontes de receita. O volume total de venda dos 15 negócios chegou a R$ 800 mil (USD 210 mil), produzidos por 1.667 famílias.

Um exemplo de negócio que se desenvolveu com sucesso após sua participação no programa é a Manioca, um negócio de Belém-PA que leva produtos da biodiversidade amazônica para outros mercados, em forma de geléias, farinhas e outros. Junto à PPA, a Manioca iniciou um processo de crescimento robusto, apoiado no investimento recebido e nas conexões com novos mercados. O negócio formalizou sua tese de impacto, iniciando a implementação dos sistemas de monitoramento de sua cadeia produtiva sustentável e gestão de fornecedores, permitindo ainda a ampliação da prateleira de produtos.

88 novos contratos com, fornecedores foram celebrados, 28 novas parcerias, 14 novos mercados, 11 novos canais de venda e 8 novas fontes de receita.

De 2018 a 2019, a Manioca ampliou de 15 para 48 o número de produtores de povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares capacitados para produção de ingredientes amazônicos de maneira sustentável. Na linhda de produção, passaram de 14 para 24 variedades de ingredientes utilizados. Todos os fornecedores, que passaram a ser acompanhados dentro do programa de desenvolvimento de fornecedores estruturado, tiveram melhorar na qualidade de vida e na renda.

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Aprendizados e perspectivas

Internamente, o principal desafio é ajustar a governança e buscar a sustentabilidade financeira do negócio. Hoje, o processo é viável devido aos aportes feitos pelos parceiros filantrópicos, que financiam todos os custos da operação e ainda investem em pé de igualdade com os investidores privados.

"Ter recursos da filantropia tem várias vantagens por que conseguimos custear atividades que investidores não estão dispostos a patrocinar e dificilmente caberiam no caixa das startups investidas. Por outro lado, existe o desafio de se criar uma estratégia de sustentabilidade financeira a longo prazo que reduza a dependência do capital filantrópico".


Mariano Cenamo

Diretor do Idesam 

Um aprendizado relevante estava na compreensão das necessidades diversas dos negócios locais, que guiou o desenho da aceleração e dos apoios não financeiros.

"Temos dois extremos no portfólio: bons empreendedores com o negócio na mão de um lado, boa tese de impacto do outro. Os primeiros têm o desafio de achar o equilíbrio, provando o impacto. Na outra ponta temos um maior desafio: pegar alguém que tem motivação para impacto, galera que saiu de ONG, pesquisadores com uma ideia de negócio, associações, negócios comunitários, que é 100% impacto, mas não é bom de negócio. Para eles é mais difícil transformar o dinheiro recebido em bons retornos, porque focam no impacto primeiro".


Ana Carolina Bastida

Coordenadora do Idesam 

Outro aprendizado foi o da necessidade de se acompanhar mais de perto os negócios após os investimento, sobretudo no que diz respeito aos indicadores financeiros e cumprimento de planos definidos inicialmente.

Permanecem os desafios de se padronizar os contratos de investimento, uma vez que são também experiências novas para os investidores. Em alguns casos em que mais de um investidor participa, há a demanda de condições específicas para cada investidor, passando por taxas de juros, prazos e valores diferentes.